Sofia, de 11 anos, nadava com um primo e uma amiga na Afurada, em Gaia, quando desapareceu. Ficou submersa cerca de meia hora até ser resgatada pelos mergulhadores e acabou por morrer no Hospital de S. João.
Os três meninos começaram a ficar aflitos, à medida que se afastaram do areal. Perante os gritos de familiares, que se atiraram à água para salvá-los, um pescador conseguiu resgatar dois, mas Sofia Luís desapareceu. O alerta foi dado 15 minutos após as 16 horas e a menina foi encontrada cerca de meia hora depois pela equipa de mergulhadores dos Sapadores de Gaia. Feita a reanimação pelo INEM, entrou consciente para a ambulância, contam os vizinhos.
"Estava a fazer limpeza numa lancha e ouvi os gritos de uma senhora que estava no areal e que se atirou à água quando uma das crianças que estavam a nadar desapareceu. Fui lá com um barco pequeno que tenho e consegui tirar um menino e uma menina. Quando lá cheguei, a outra criança desapareceu", lembra Domingos Galante, pescador que estava no Cais do Lugan, onde tudo aconteceu. "Deus deu-me este dom de apanhar pessoas", explicou o pescador, que não usa o termo salvar porque já resgatou muitas pessoas sem vida. No braço, traz ainda uma ferida como prova do salvamento bem sucedido de um jovem que ali ia morrendo afogado.
Entretanto, no Hospital de Santos Silva, em Gaia, deu entrada com escoriações uma das mulheres que tentou socorrer os três meninos. A mãe de Sofia Luís, que, segundo testemunhas, entrou na água desesperada, foi para o de S. João, no Porto. Além destas, uma médica que se encontrava no local também tentou ajudar.
Os dois meninos salvos pelo pescador, que têm entre 10 e 12 anos, saíram ilesos. Sofia não teve a mesma sorte e, segundo Domingos Galante, "esteve pelos menos 25 minutos dentro de água". Informação confirmada pelos Sapadores de Gaia, cujas buscas demoraram "cerca de um quarto de hora".
A certa altura, "estavam duas crianças e uma das mães agarradas à corda", recorda, por sua vez, Alberto Moura de Oliveira, que acompanhou as operações. "A família estava no areal e foram todos ao banho", conta ainda este pescador, lembrando que a resposta do mergulhador não foi animadora, quando lhe perguntou sobre o estado da menina.
Certo é que Nuno Ferreira , que trabalha num restaurante ao lado da casa de Sofia, garante que a vítima seguiu consciente para o hospital. "Abriu os olhos e acenou com a mão", recorda, apesar do estado crítico de Sofia. E conta que o INEM procedeu à reanimação numa prancha, junto ao cais.
Maria João, amiga da mãe de Sofia, estava com o irmão mais novo da vítima ao colo, de um ano. Os dois meninos que foram salvos, explicou, era o primo Hugo e a vizinha Andreia. Fonte oficial do Hospital de S. João disse, ao JN, que Sofia deu entrada cerca das 17.30 horas com "fracturas generalizadas" e "diagnóstico reservado". Acabou por falecer.
De parte da todos os membros, equipe e utilizadores do Projecto Caça Submarina, as nossas condulençias e sentimentos aos familiares e amigos da Sofia Luís.
Descansa em Paz Sofia Luís.